quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Depois da palhaçada com "A Serbian Film", espero que o Brasil não siga o péssimo exemplo dado pelo Reino Unido, que proibiu por lá "A Centopéia Humana 2" inclusive de ser comercializado em DVD, ou até downloads legais.

Link da notícia:
http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/06/filme-de-terror-centopeia-humana-2-e-proibido-no-reino-unido.html

Será que haverá muitos downloads ilegais? (dããã!) Será que isso não é apenas mais e mais publicidade para o filme? (dããã!)



Cinéfilos e fãs conseguem as suas maneiras de exibir o filme em sessões clandestinas, isso de proibir não adianta de nada! Quero meu direito de assistir o que eu bem entender de volta!!!

General Sade.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A residência de Hitler na Baviera deve ser destruída?

Havia uma discussão parecida sobre dinamitar ou não o bunker de Hitler em Berlim, anos atrás. Hoje ele é um discreto ponto turístico, com dias e horários escassos para a visitação.
 
 
Concordo com o historiador, quando diz:
 
"Claro, é preciso satisfazer a curiosidade dos turistas, mas sem cair no sensacionalismo", diz ele. A grande dificuldade é evitar que "a pesquisa histórica ceda lugar ao kitsch comercial".

É mais fácil controlar o pífio êxodo neo-nazista que a perda do valor histórico e de conscientização constantemente atenuados pelo surgimento de souvenirs e objetos do gênero.

Porém, sou contra a destruição do local. Não é apagando as marcas da história que iremos aprender. Aconteceu, pronto, e humanidade deve aprender a lidar com isso. Varrer a sujeira para baixo do tapete não é encarar seus problemas com maturidade. E sim dar a oportunidade que erros se repitam, sejam eles quais forem.

General Sade!

domingo, 28 de agosto de 2011

Tem vezes...

Tem vezes que eu me sinto como o Cazuza do filme (sim, sim, eu sei, o roteiro foi escrito e reescrito umas 15 vezes - fonte fidedigna - para acompanhar o padrão Globo, leia-se "de fácil assimilação para o maior número de espectadores"... ou melhor, nivelado por baixo, para não mostrar as drogas e o homossexualismo do protagonista), mas no momento em que ele diz: "Mãe, a vida é só isso?"... confesso que vem uma dor tremenda.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Já no meu ponto de vista...

Já que o assunto "Dan Lafferty" nos trouxe até aqui... qualquer religião e suas falácias é um problema já grande o bastante. Não precisamos chegar ao fanatismo para sentir o retrocesso que elas representam.

Lanço oficialmente, a Igreja Porno-Massácrica!!!

Amén!

"A religião organizada é o ódio disfarçado em amor"

A frase título deste post foi proferida por Dan Lafferty, assassino confesso de Brenda (sua cunhada) e a filha dela, Erica, de 15 meses. O motivo seriam "revelações" divinas que seu irmão recebera indicando que tais pessoas deceriam ser "removidas" por ordem do próprio deus.

A história é o ponto de partida do ótimo livro "Pela Bandeira do Paraíso", de Jon Krakauer, que analisa não somente a religião mórmon, como todo e qualquer fanatismo e suas terríveis consequências.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Zara...

Apenas dois comentários sobre a polêmica da Zara e o trabalho escravo:

1 - A primeira diz respeito ao superfaturamento dos produtos. Acho injusto utilizar o trabalho escravo e ainda nos cobrar o "olho da cara" por aquelas roupas "importadas"... quer ganhar de todos os lados, pô?

2 - A segunda é quanto a esse tipo de esculhambação:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/961145-internautas-atacam-zara-apos-denuncia-de-trabalho-escravo.shtml

É internauta indignado de todos os lados pedindo o boicote da marca. Não que isso não seja válido, ao menos pelo motivo anterior já seria. Mas vejamos: sempre se soube sobre trabalho escravo de Bolivianos, isso cansou de ser dito. E mais, devem-se boicotar outras marcas também, ou a Nike e seu trabalho escravo na Indonésia (ou Paquistão, ou qualquer outro terceiro mundo como nós) fica longe dos nossos olhos, e por isso dói menos? Ou nossos escravos sofrem mais? Puma, Adidas, GAP... todas já sofreram denúncias parecidas.

General Sade!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Solidão e o Palácio de Lixo.



Alguns meses atrás,  em companhia de uma figura impagável, meu grande amigo/irmão David Penner (ex músico de Oboé, da Orquestra de NY - aposentado por isso -, ex professor de literatura Inglesa, atual fotógrafo, comunista, barbudo, em pleno USA), recebi a indicação de um livro: Homer & Langley, de autoria de E.L. Doctorow.

O trabalho  de David você pode conferir em http://davidpennerphotography.com/

Eu já havia escutado o nome, por alguma razão, mas nunca lido nada desse autor. No entanto, quando uma indicação vem de Mr. Penner é melhor você dar ouvidos a ela.

Bom, com o livro em mãos (uma cópia em Inglês), deparei-me com um mundo próximo ao fantástico. Explico a sensação:

A história, baseada em fatos verídicos, fala (obviamente) de Homer e Langley, dois irmãos, filhos de aristocratas, que moravam em um casarão em plena 5a. Avenida. Com a morte prematura dos pais, ficam "soltos" no mundo. Homer, acaba por ficar cego ainda em tenra idade. Langley desenvolve uma obsessão por acumular coisas. As mais variadas coisas... o que hoje é normalmente conhecido pelo termo em inglês, "hoarder" (Ou, na A&E Television, "Obsessivos Compulsivos"). Simplesmente um sujeito que guarda em casa tudo quanto é tralha que encontra.

Com o passar do tempo, esses distintos residentes de tão nobre endereço, acabam por deixar de pagar suas contas, e viver como reclusos. Raramente são vistos nas ruas. Sua casa torna-se uma espécie de fortaleza contra o mundo exterior.

Anos mais tarde, atendendo a um chamado dos vizinhos, a polícia consegue arrombar o local, e o que encontra são toneladas e toneladas de coisas (como mais poderíamos chamar esse acúmulo indiscriminado de tudo?). Com extrema dificuldade, avançam, e acabam por encontrar o corpo de Homer, já impossibilitado de caminhar por causa de doenças, enclausurado entre as montanhas e montanhas de lixo (ok, vamos chamar assim, agora)... havia morrido de fome. Uma caçada se inicia para encontrar seu irmão, Langley. E ao fim de alguns poucos dias, o corpo de Langley é encontrado já em decomposição, sendo devorado por ratos. O que ocorre é que, com a ameaça de invasão externa e a paranóia crescente dos irmãos, Langley havia instalado armadilhas por toda a casa. Eis que, engatinhando para levar comida ao irmão inválido, foi vítima de uma de suas próprias armadilhas, e acabou por morrer, levando à morte também seu irmão dependente.


O livro, escrito em primeira pessoa, é contado do ponto de vista de Homer. Isso me causou uma estranheza no princípio, pois, como contar bem uma história sem o auxílio visual do protagonista... e aí vem um dos grandes trunfos do livro. Ele é repleto de sensações. Homer é muito intuitivo e nos transfere seus pensamentos sobre o mundo a sua volta a todo momento.  Já Langley, no livro, fica "louco" por voltar da guerra com ferimetos (muitos psicológicos), sendo autor das melhores frases e pensamentos da obra

 Doctorow dá uma coloração de obstinação e luta pela liberdade à falta de pagamento de contas dos irmãos, à empreitada dos dois contra a sociedade, fazendo-nos entrar em uma esfera de romantismo, e compartilharmos com eles de sua busca. Eles parecem idealistas em sua busca de liberdade ao extremo. Não há como não se sensibilizar com a história, um tanto trágica, dos dois. Há um vazio, uma solidão perene que permanece muito depois de terminarmos suas mágicas páginas.

Hoje, o local onde se situava o palacete, é um pequeno parque em NY que leva o sobrenome dos irmãos: "Collyers". Há até uma estúpida discussão se devem ou não mudar o nome do parque. Os que argumentam a favor da mudança, dizem que eles nada representaram de bom para a cidade. Porém, parece, felizmente, que esses são a minoria. Se fosse assim, poderíamos mudar muitas coisas por aqui, começando pela mudança da nossa Av. Salim Farah Maluf... que tal?

De qualquer maneira... discussões como essa à parte. É um livro que vale muito a pena ser conhecido. E uma história que merecia ser contada.

Homer & Langley (Tradução de Roberto Muggiati, Record, 240 páginas, 39,90 reais)
General Sade!!!